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Comissão da Verdade: livros que resgatam uma história de arbitrariedades e luta

publicado em 25/05/2012

 

A Comissão Nacional da Verdade tem tarefa de analisar milhares de documentos oficiais, além de relatos e livros para trazer à tona inúmeros episódios de violações aos direitos humanos no período de 1946 a 1988, com a expectativa de centrar esforços nas ações repressivas dos governos militares de 1964 a 1985. Sobre este último período, a FPA publicou inúmeros livros que registram as ações dos militantes de esquerda, muitos jovens, outros veteranos por uma sociedade mais justa, mais igualitária.  Aqui apresentamos uma lista com um breve resumo de seu conteúdo.
 

Sobre os mortos e desaparecidos

- Dos filhos deste solo - Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar - a responsabilidade do Estado
Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, Editora Fundação Perseu Abramo e Boitempo Editorial, 2ª edição ampliada e revisada, 2008, 712 páginas

Este livro, publicado pela primeira vez em 1999, é um dossiê que resgata as histórias de militantes das organizações de esquerda e de outras pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura militar. Resultado dos trabalhos da comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos, instalada em 1995, Dos filhos deste solo descreve as circunstâncias das mortes/desaparecimentos de militantes de esquerda com informações coletadas com parentes, confrontadas com documentos oficiais – laudos, atestados e relatórios policiais.

Os casos estão agrupados em ordem cronológica e com a ligação dos militantes com as organizações de esquerdas que denominam os capítulos. Nesta segunda edição, alguns casos foram ampliados e os autores acrescentaram as mudanças na lei 9140/95 (na qual o Estado brasileiro reconhece a responsabilidade nos desaparecimentos) e a constituição da Comissão de Anistia em 2002.

“Os horrores, não cabe aqui esmiuçá-los: estão todos lá. Trata-se de um inestimável serviço prestado à causa da democracia e dos direitos humanos. Deixa ainda explícito como aquele equívoco histórico e derrota das oposições que se chamou, sardonicamente ao que parece, 'anistia mútua', na verdade deixou aberta uma chaga insanável no tecido social brasileiro.” - resenha de Walnice Nogueira Galvão para a revista Teoria e Debate nº43 (maio de 2000)

 

- O massacre na Lapa – Como o exército liquidou o Comitê Central do PcdoB, São Paulo, 1976
Pedro Estevam da Rocha Pomar, 3ª edição, 2006,  192 páginas

O livro descreve detalhadamente a execução de dirigentes do PCdoB em 1976 em uma operação armada pelo Exército com a participação dos agentes do DOI-Codi. Esta é a terceira edição, que marca os 30 anos do massacre. Os fatos ali descritos e denunciados mantêm sua atualidade.

Na "Nota à 3ª edição", Pomar aponta ser preocupante o tratamento dado à questão dos arquivos da repressão política no período. Para o jornalista “a abertura dos arquivos militares contribuirá decisivamente para que se conheça por inteiro o que se passou em episódios como o da Lapa e tantos outros, e se faça justiça, em homenagem à memória dos que tombaram na luta contra a opressão”.

 

- A imagem e o gesto – Fotobiografia de Carlos Marighella
Vladimir Sacchetta, Marcia Camargos e  Gilberto Maringoni,  1ª edição, 1996, 64 páginas

Este livro é um álbum de retratos que conta a vida e a militância de Carlos Marighella, desde Salvador, na década de 1930, até sua morte em uma emboscada armada pelo DOI Codi em São Paulo em 1969. Os autores resgataram fotos pessoais e de arquivos, além de manuscritos e documentos, que registram o engajamento de Marighella com a luta contra as desigualdades em todos os níveis.

“Nossa vocação no Brasil é a liberdade e não isso que aí está. Para que haja liberdade, é preciso lutar. A luta pela liberdade não se pode fazer por meios suasórios, quando os monstros da ditadura militar estão armados até os dentes e empregam sem dó nem contemplação a violência contra o povo. Com os que me acompanham, verifiquei não existir outra saída senão a luta armada”, carta de Marighella a Dom Helder Camara, agosto de 1969, reproduzida no A imagem e o gesto.

 

- Uma vida de lutas – Renée de Carvalho
Marly de Almeida Gomes Vianna, René Louis de Carvalho e Ramón Peña Castro (Orgs.), 2012, 240 páginas

Neste livro, Renée de Carvalho resgata a angústia de ter seu companheiro de vida e luta Apolônio de Carvalho, seus filhos Renée e Raul, presos e torturados entre 1969 e 1970.  Ao descrever a jornada em busca de informações sobre seus familiares, as incertezas, Renée diz que foi uma rotina de desespero.  “Um dia encontrei no escritório uma pessoa que tinha sido presa e me contou um pouco da prisão do Apolônio, da tortura por ele sofrida. (...)Apolônio apanhou tanto, que era para morrer! Os torturadores tinham uma palmatória de uma borracha muito dura e, entre outras barbaridades, quebraram uma nas costas do Apolônio”, relata em um trecho do livro.

 

Sobre a Anistia e o contexto histórico

- Pela democracia, contra o arbítrio
Zilah W. Abramo e Flamarion Maués (Orgs.),  2006, 480 páginas

Coletânea organizada por Zilah Abramo e Flamarion Maués com 130 depoimentos sobre a oposição à ditadura militar pós-1964, a partir das páginas especiais publicadas no Portal da FPA. Além dos relatos, estão reunidos neste livro, fotos e documentos históricos que marcam a cronologia da ditadura e da retomada da democracia brasileira.

“São testemunhos que mostram como desde os primeiros dias após o golpe a oposição ao autoritarismo começou a se articular e a questionar o novo poder – mesmo nos períodos de maior cerceamento às liberdades e aos direitos civis”, destacam os organizadores.

 

- Fome de liberdade
Gilney Viana e Perly Cipriano, co-edição EFPA e EDUFES, 2009, 2ª edição 364 páginas

Ex-presos políticos, Gilney Viana e Perly Cipriano relatam a luta travada contra a ditadura militar e a favor de uma anistia ampla e irrestrita, que contou com uma greve de fome de 32 dias num presídio e motivou greves de fome de presos em vários estados.  Os autores narram os mais de 15 anos de resistência dos presos políticos, contando torturas e outros absurdos ocorridos nas prisões militares, o motivo das apelações às greves de fome e a reação do governo diante deste protesto. Ao final da obra, são apresentados documentos como fotos, cartas, declarações e comunicados dos encarcerados, e notas de solidariedade recebidas e escritas por eles.

No primeiro capítulo, está o documento assinado por 15 presos políticos – dentre eles Viana e Cipriano – apresentando seu repúdio ao projeto de Anistia imposto pelo governo. “Porque este projeto pretende acobertar os crimes da ditadura militar , anistiando aqueles que torturaram, assassinaram prisioneiros indefesos, e seus mandantes, tentando impossibilitar a apuração desses crimes e a devida responsabilização dos envolvidos”, destacam.

 

- Rebeldes e Contestadores - 1968: Brasil, França e Alemanha
Marco Aurélio Garcia e Maria Alice Vieira (Orgs.), 2008, 2ª edição.

O ano de 1968 marcou a emergência de movimentos sociais e políticos que tiveram forte impacto e deixaram marcas profundas nos costumes e na cultura política. No Brasil o período era marcado pelo AI-5, baixado no final de 1968, com o qual foi institucionalizada a tortura, os assassinatos, as prisões arbitrárias e o banimento de opositores e o recrudescimento de uma censura.

 

 

 

 





 

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