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1964-2004:Golpe Nunca Mais!

publicado em 31/03/2010

Introdução de Jacob Gorender, depoimentos, fotos, leis, documentos, textos, e-livros de Wanderley Guilherme e Abelardo Jurema, bibliografia, filmografia e links.

 

Apresentação

A ditadura legou um extenso rol de danos à sociedade brasileira, deixando seqüelas de difícil superação em muitos campos. O terrorismo de Estado deixou um incontável número de vítimas, submetidas a formas grosseiras ou requintadas de violência física e psicológica. O desrespeito aos mais elementares direitos civis, políticos e sociais foi banalizado e naturalizado. Sindicatos e entidades estudantis foram fechadas. Seus militantes - assim como os ativistas de outras organizações da sociedade civil e das Igrejas engajadas na defesa dos direitos humanos - foram perseguidos, exilados, presos, torturados e covardemente assassinados. Para esvaziar as universidades como espaço de reflexão crítica e autônoma, recorreu-se à imposição de diretrizes e reitores, às prisões, às aposentadorias compulsórias, ao controle policial, assim como ao estímulo à delação. Um impacto similar se abateu sobre os demais centros produtores da cultura nacional.

Mas a violência não conseguiu calar aqueles que resistiram. Da luta contra o arbítrio e das marcas deixadas pela violência institucionalizada é que emergiram as novas forças políticas e sociais que conduziram o processo de redemocratização do país.

Essas forças puderam, a partir da luta por liberdades civis e democráticas, contribuir para o aperfeiçoamento da democracia e re-significação da cidadania, seja por meio dos processos de auto-organização no plano social e político de inúmeros e variados setores, seja pelo empenho na instituição de canais de participação e fiscalização das políticas e práticas do Estado e do Parlamento. A inserção desses setores na vida política aperfeiçoou a democracia representativa e as instituições políticas e públicas do país.

Evocar a conjuntura que ensejou o golpe, bem como o ciclo histórico por ele aberto, por meio de depoimentos, da literatura, da divulgação de documentos históricos e manifestações artísticas, diz respeito ao compromisso com a ampliação dos domínios da reflexão histórica junto à sociedade, especialmente junto às novas gerações.

Desta maneira, o objetivo da Fundação Perseu Abramo com esta página especial é manter viva a memória de como, há quarenta anos, mais uma vez em nossa história a violência intentou suprimir a política de bases democráticas. Ao mesmo tempo, pretendemos honrar a memória daqueles que, a partir da luta e da solidariedade, buscaram resgatar a democracia e lhe deram novo valor e significado.

Por que 1º de abril?

A data em que inauguramos esta página não é casual, pois visa deixar claro que a derrubada de João Goulart ocorreu no dia 1º de abril, e não em 31 de março, como os golpistas passaram a divulgar. Como lembra a presidente do Conselho Curador da Fundação, Zilah Abramo, "durante muito tempo era possível saber a posição política de uma pessoa no Brasil a partir da forma como ela designava este fato. Se falava em 'Revolução de 31 de março', já sabíamos que era alguém que apoiava os militares. Se, ao contrário, se referia ao 'Golpe de 1º de abril', era alguém que se opunha ao arbítrio".

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