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O 1º de maio de 1980

publicado em 29/04/2010

Em 1980,  a comemoração do 1º de Maio foi concentrada no Paço Municipal de São Bernardo do Campo. Ali se reuniram sindicalistas, estudantes, trabalhadores das mais variadas categorias e moradores das cidades vizinhas. Naquele 1º de Maio de 1980, as atenções de todo o país estavma voltadas para os acontecimentos em São Bernardo. Ali cerca de 200 mil trabalhadores das indústrias metalúrgicas estavam em greve, as lideranças do movimento grevista estavam presos, entre eles Lula, o governo endurecendo ao não abrir negociações. Tudo isso somado a um quadro de insatisfação geral, com a inflação em alta e o crescimento de vozes pelo fim da ditadura.

O jornalista Julinho de Grammont, em seu depoimento para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC conta sobre o 1º de maio de 1980: ..."Veio a peãozada das fábricas e esse pessoal não tem meias palavras, foram pra cima, aconteceu um recuo da repressão. Acho que a ditadura militar caiu ali, naquele Primeiro de Maio, porque nunca tinha cedido nada antes! Eles tiveram que recuar e aí foi um espetáculo, saiu uma passeata bonita portando flores e bandeiras em direção ao Estádio de Vila Euclides e encheu de gente. Tinha perto de 100 mil, 80 mil pessoas. Essa manifestação foi simbólica porque Lula e outras lideranças sindicais estavam na prisão, ao mesmo tempo cresciam as forças de combate à ditadura. Os egressos do exílio, estavam todos aqui em São Bernardo, dos menos progressistas aos mais radicais. Aquele 1º de Maio foi, então, o primeiro momento que a repressão do governo recua literalmente com Brucutu, fuzis na mão, granada e tudo."

Jair Meneguelli fala sobre a cidade cercada pelos órgãos da repressão e a disposição dos manifestantes: "...nós estávamos dispostos a fazer aquela caminhada e íamos ocupar o estádio da Vila Euclides. Acontecesse o que acontecesse, nós íamos fazer aquilo. Estávamos dispostos a morrer se fosse preciso e íamos fazer aquilo. (...) Quando a gente chegou no Paço, já estava tudo desocupado, não tinha mais policial nenhum. E a gente ia dançando, cantando, virando cambalhota, chorando, se abraçando, todo mundo. Fomos, ocupamos o estádio da Vila Euclides e realizamos o 1º de maio dessa maneira. Foi uma coisa! Quem viu, viu. Quem não viu, nem em filme verá igual o que aconteceu no dia 1º de maio."

Vicentinho conta que encontrou a Igreja Matriz lotada. Ali se realizava uma missa: "Quando eu cheguei na igreja, estava acontecendo a missa. Tinha muita gente na praça e lá dentro. E uma fila de policiais. Eu fiquei perto de um policial, do lado direito, parado, porque não tinha como entrar. E o povo chegando e gritando. Eu me lembro muito de um soldado que chorou, na nossa frente, duro, paradão e uma lágrima descendo. Aí, veio um cara e tirou ele de lá, a lágrima descendo... (...) corremos para a Vila Euclides, porque o Paço também estava cercado. Aí, chega lá, já não havia mais ninguém. Eu me lembro muito, nesse dia também me emocionei muito, até deitei no chão, na grama e rolava (...) Naquele dia não tinha assembléia, não tinha nada. Fui até o lugar que era o palanque e não tinha palanque coisa nenhuma. Rolei, fiquei ali, e chorava. Foi um negócio muito interessante. Depois a gente subiu, fiquei lá sentado, sozinho, eu e mais três é aqui, vamos ficar aqui, ficamos um tempão, depois fomos embora."

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