você está em:

 


Detalhes do Livro

Massacre na Lapa: Como o Exército liquidou o Comitê Central do PCdoB – São Paulo, 1976
Autores: POMAR, Pedro Estevam da Rocha
Sinopse:

"Massacre da Lapa", de Pedro Estevam da Rocha Pomar, em sua terceira edição, revista, resgata a memória da violenta ação do Exército que assassinou dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 1976, na tentativa de desmantelar a oposição ao regime militar.

Capa: 
Editora: 
Editora Fundação Perseu Abramo
ISBN/ISSN: 
2147483647
Páginas: 
208
Ano: 
2006
Edição: 
3
Língua: 
Portuguesa
Peso: 
0
Autores: 
POMAR, Pedro Estevam da Rocha
Sinopse: 

"Massacre da Lapa", de Pedro Estevam da Rocha Pomar, em sua terceira edição, revista, resgata a memória da violenta ação do Exército que assassinou dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 1976, na tentativa de desmantelar a oposição ao regime militar.

 

CLIQUE PARA COMPRAR 

 

Apresentação - Chacina da Lapa, 30 anos depois

A última operação sangrenta dos órgãos de repressão política da ditadura militar ocorreu em dezembro de 1976, em São Paulo, quando agentes do Exército assassinaram três dirigentes do então clandestino Partido Comunista do Brasil (pcdob): João Baptista Franco Drummond, Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Outros seis militantes foram presos, cinco deles torturados sistematicamente durante semanas.

O episódio ficou conhecido como “Massacre da Lapa” (ou “Chacina da Lapa”), porque o desfecho da operação foi o ataque a tiros, na manhã de 16 de dezembro, à casa 767 da rua Pio xi, no bairro da Lapa, onde o comitê central do pcdob reunira-se entre 11 e 15 de dezembro de 1976.

O Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (doi-codi) do i e ii Exércitos executaram o ataque, que contou também com a participação de torturadores como o tenente-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e o delegado Sérgio Fleury, do dops.

O cerco que precedeu o ataque durou quatro dias e contou com cerca de 50 agentes. Um ofício confidencial revela que o Estado-Maior do ii Exército pediu à Secretaria de Segurança Pública, com 48 horas de antecedência, que bloqueasse a rua Pio xi na manhã de 16 de dezembro. As prisões efetuadas foram realizadas, com uma única exceção, antes do ataque, na medida em que os participantes da reunião deixavam a casa.

Tudo isso prova que Arroyo e Pomar poderiam ter sido capturados, ao invés de metralhados. Para justificar as mortes, o Exército informou que houve “resistência armada”, e a equipe de Fleury “plantou” armas no local. O Exército também mentiu sobre Drummond, alegando que ele morreu “atropelado”. Na verdade, o jovem militante estava sendo torturado no DOI-CODI, na rua Tutóia, quando conseguiu desvencilhar-se e fugir, mas despencou ao lado da torre de rádio.

A operação da Lapa contradiz frontalmente o mito criado pelo governo Geisel sobre o “fim dos excessos” após a destituição do general Ednardo D’Ávila do comando do ii Exército, provocada pelos assassinatos de Vladimir Herzog (em outubro de 1975) e Manoel Fiel Filho (em janeiro de 1976). Alegou-se, na época, que a substituição de Ednardo pelo general “moderado” Dilermando Gomes Monteiro encurralara a linha-dura militar e banira para sempre dos quartéis a tortura e os assassinatos dos militantes da esquerda.

A execução de Pomar e Arroyo, a morte de Drummond e as torturas a que foram submetidos os demais militantes do PCdoB nas dependências do i e ii Exércitos eram do conhecimento e tinham a aprovação de vários oficiais, inclusive Dilermando, o homem que Geisel colocou à frente do II Exército no lugar de Ednardo.

Massacre na Lapa: Como o Exército liquidou o Comitê Central do PCdoB – São Paulo, 1976, de Pedro Estevam da Rocha Pomar é o mais completo e detalhado relato deste episódio, e ganha agora esta 3ª edição revista.  


Desarquivar o Brasil (Nota do autor à 3ª edição)

Decorridos 30 anos do massacre de dirigentes do pcdob realizado pelo Exército na cidade de São Paulo, constata-se que o Brasil pouco mudou no que concerne ao poder dos militares. As Forças Armadas, e o Exército em especial, continuam a comportar-se como nos tempos da ditadura, colocando-se acima da lei e considerando-se credoras e tutoras da sociedade brasileira.

O “poder civil” quase nada fez para mudar esse estado de coisas. O governo federal recorreu de sentença judicial que ordenou a abertura dos arquivos relacionados à Guerrilha do Araguaia. Depois comprometeu-se a abrir todos os arquivos das Forças Armadas referentes à repressão política, mas não o fez. Em 2004, o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) emitiu uma nota sobre o caso Herzog que parecia ter sido redigida nas masmorras dos antigos doi da década de 1970. A crise decorrente derrubou o ministro civil da Defesa, sem culpa no episódio, ao passo que o comandante do Exército e o general chefe do Cecomsex, autores da nota, permaneceram nos cargos. Em 2005, por iniciativa do governo, o Congresso aprovou a Medida Provisória 228/04, instituidora do “sigilo eterno” de determinados documentos.

Preocupa o desrespeito às mais comezinhas regras democráticas, por parte de setores da alta oficialidade. Que a Polícia Federal tenha precisado recorrer à Justiça Federal para obter, da Aeronáutica, os dados relativos ao acidente que vitimou o Boeing da Gol, em outubro de 2006, certamente diz muito sobre a mentalidade que domina parcela do generalato brasileiro.

Outras heranças da ditadura continuam bem vivas no Brasil do século xxi: as polícias militares e a prática generalizada da tortura pelos agentes da lei. As pms, criadas pelo regime militar com claro caráter antipopular, são – ainda hoje – as forças policiais que mais matam no mundo todo. A pena de morte inexiste na Constituição, mas as pms têm carta branca para aplicá-la, como evidenciado nos casos do Carandiru, de Eldorado dos Carajás e nos episódios de execução de mais de uma centena de “suspeitos” em maio de 2006 em São Paulo. Quanto à tortura, persiste dentro e fora das delegacias, e mesmo em alguns quartéis do Exército, nos quais os supliciados são militares submetidos a bizarros rituais de passagem.

Neste contexto, tem forte valor simbólico a ação judicial movida pela família de Maria Amélia Telles, ex-militante do PCdoB, para que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra seja declarado torturador1. Envolvido em diversos casos de assassinato, o “Capitão Tibiriçá” vinha sendo protegido pela cobertura dada pela Lei da Anistia, de 1979, aos praticantes de “crimes conexos”, isto é, os agentes da ditadura que torturaram e mataram em nome do combate à “subversão”.

***

Após o lançamento da segunda edição deste livro, em 1996, surgiram muitas informações e documentos sobre a Guerrilha do Araguaia, mas não houve notícia de qualquer fato que viesse a alterar, ou esclarecer melhor, o que já se sabia sobre o Massacre da Lapa2. A primeira e a segunda edições, com suas pequenas tiragens, hoje esgotadas, cumpriram, na medida do possível, o papel de denunciar o crime cometido pelos órgãos de segurança, elucidar as circunstâncias, apontar os responsáveis diretos, revelar os seus desdobramentos.

O Brasil precisa ser desarquivado. A abertura dos arquivos militares contribuirá decisivamente para que se conheçam por inteiro os crimes da repressão política, e se faça justiça, em homenagem à memória dos que tombaram na luta contra a opressão e para reparar o sofrimento dos que perderam familiares, amigos, camaradas.

***

Sou grato a Ana Beatriz e a Natália Guerrero, que me ajudaram a preparar os originais; a Rogério Chaves, incentivador desta reedição; e a Ana Paula, pelo apoio incansável. Também agradeço, tardiamente embora (e por isso acrescento um pedido de perdão), a Alcir Henrique da Costa por sua colaboração nas pesquisas realizadas, já faz tantos anos, no Rio de Janeiro.

O Autor
São Paulo, 14 de novembro de 2006

Sumário

Pedro Estevam da Rocha Pomar
Reconhecimento
Apresentação
Desarquivar o Brasil (nota do autor à 3ª edição)
Nota do autor à 2ª edição

I – A Queda
Repórter inoportuno
Noite do dia 15, véspera do ataque
Drummond, vôo para a morte
Madrugada do dia 16

II – Marcados para morrer
Arroyo
Drummond
Pomar

III – Laudos sob medida, ou quase
Armas "plantadas"
A casa
Os tiros
As testemunhas
Os preparativos

IV – Dilermando, pacificador
À moda da casa
Vibrando o chicote
Mitologia pró-Geisel
As torturas
Tortura chinesa
Clima de ameaça
Golpes na cabeça
Socos e pontapés
Suspeição só a pedido
Pose de democrata
O “doutor Marcos” faz a festa
Provocações no DOPS

V – Quebra-cabeças
Primeiras inquietações
Acordo com a repressão
A reaparição de Jover
O “relatório”
O envolvimento de Brilhante Ustra
Curió entrega Jover

VI – Conversação com o traidor
Veleidades literárias
11 de outubro de 1986
Um veterano fora de qualquer jogada
Vamos encerrar esse assunto
Suspeitas aqui e acolá
De sístole e diástole
A volta à política

VII – Rio, 1975
As prisões de 1972-76
A captura de Frutuoso
A história de Laurinda
Agonia e morte de Frutuoso
O mistério de Hilda

VIII – Leônidas, o chefe do DOI-CODI

“Petulância”
“Detalhes”

IX – Na corte militar
Apelação ao sim
Mal-ajambradas desculpas
Guerrilha ignorada

X – O saldo político da tragédia
A reunião de dezembro
A segurança do partido
A guerrilha em debate
Vida opu morte
Destituição de dirigentes
Protesto
A ruptura

XI – Memória curta
Anexos
Memorial de Haroldo Lima a respeito de seu afastamento do comitê central (1979)
Advogado
A sobrevivente
O repórter
O militar
____________________________________________________

Sobre o autor

Após o golpe militar de 1964, a perseguição política aos comunistas fez com que a família Pomar – Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar, sua esposa Catarina Torres e os filhos do casal, entre eles Wladimir Pomar, bem como a esposa deste, Rachel, e os respectivos filhos – passasse à clandestinidade. Por esse motivo, em 1965, aos 7 anos de idade, Pedro Estevam da Rocha Pomar, filho mais velho de Wladimir e Rachel, passou a usar o nome de Marcos Soares.

Nascido em 1957 no Rio de Janeiro, Pedro Estevam viveu em diversas cidades do Brasil antes de chegar, em 1976, em Belém, onde começou a trabalhar como jornalista aos 18 anos, em O Liberal. Depois de atuar nos alternativos Nanico e Resistência, diplomou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Pará, em 1982, e retornou a São Paulo, onde morara por vários anos.

Trabalhou na Folha de S. Paulo, Gazeta de Pinheiros e em outras publicações, bem como na TV Gazeta. Assessorou diversos sindicatos de trabalhadores. Milita, desde 1987, no movimento sindical e no Partido dos Trabalhadores. Nesse mesmo ano lançou a 1ª edição do livro Massacre na Lapa (ed. Busca Vida). A 2ª edição foi lançada em 1996 (ed. Scritta). Também é autor de A democracia intolerante (Arquivo do Estado, 2002).
Pedro Estevam, que em 1993 recebeu autorização judicial para voltar a usar seu verdadeiro nome, tornou-se em 2001 mestre em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e em 2006 doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP).

Dados Técnicos

ISBN:2147483647

Páginas:208

Ano:2006

Edição:3

Idioma:Portuguesa

Peso:0




 

Partido dos Trabalhadores


FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
Rua Francisco Cruz, 234 - Vila Mariana - CEP 04117-091 - São Paulo - SP - Brasil Fone: (11) 5571-4299 - Fax (11) 5571-0910