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Cultura: Museu para o quê?

Teoria e Debate nº 36 - outubro/novembro/dezembro de 1997

publicado em 13/05/2006

por Maurício Segall*

Apesar de representar o Museu Lasar Segall nesta mesa com a fala "Museus: para o quê?", o faço em nome estritamente pessoal, forçando a barra, sempre controverso, nunca como dono da verdade, mas com o único fito de provocar um debate construtivo, sempre necessário.

Esta minha participação pode ser considerada como uma reafirmação e complementação das minhas participações no Seminário "A Museologia Brasileira e o Icom" e na Conferência Latino-americana de Museus, ambos realizados em São Paulo em 1995 e 1996, respectivamente.

Inicialmente, gostaria de sugerir que os Museus de hoje, especialmente os de arte, padecem de uma Moléstia crônica que eu denomino "O Mal do fim do Milênio". A seguir, sugiro alguns dos sintomas, cada vez mais detectáveis, causados pelos Micróbios deste Mal, a maioria com a inicial M, coincidência com a qual tomo a liberdade de brincar um pouco para não correr o risco de ser tomado por demais a sério.

Comecemos pela implacável "Museomania" de nosso tempo, que se evidencia pela súbita proliferação de Museus no mundo todo, alguns, inclusive, bizarramente sem acervo, numa globalização cultural que não só os mascara de simbolismos adequados à nova ideologia globalizante neoliberal, como também chega a lhes atribuir valores simbólicos da grandeza, real ou imaginária, da Nação.

A seguir, a Massificação dos Museus, na qual a planejada obsolescência da sociedade de consumo encontra seu contraponto nesta implacável Museomania. O Museu como um local conservador elitista ou como um bastião da tradição da alta cultura dá lugar ao Museu como cultura de Massa, ou seja, como um espaço de "Mise-en-scenes" espetaculares e de "exuberância operística", geralmente transitórias, onde a ênfase é dada à homogeneidade e não à diversificação.

A decorrente Megalomania dos Museus de Arte, com a crescente tendência para Megaexposições, em detrimento da divulgação dos seus acervos, com as danosas conseqüências de seu apelo de Massa que, por detrás de um discurso populista de atendimento às Multidões, visa atender prioritariamente a necessidade de captação de recursos. E assim, gradativamente, entre outras coisas, se instala, nas direções dos Museus, a síndrome dos Mirabolantes Mercados das longas filas de espera.

A Mercantilização crescente dos museus, na sociedade de consumo de Massa, e a relação, cada vez mais evidente, entre Museus e publicidade, evidenciando, nas palavras de Otília Arantes "(...) a transformação da forma-Mercadoria em forma-publicitária, com o reforço do fetichismo, empobrecendo a experiência individual e fundindo publicidade e animação cultural, (...)". Em que se prioriza a relação hedonista com o objeto, que a sociedade de consumo requer, ao invés de privilegiar o diálogo entre o objeto e o visitante ou, nas palavras de Jacques Leenhardt, o "confronto cultural entre eles", a prática viva de algo além de uma relação lúdico/distraída com a arte, ou seja, tentando transformá-lo de espectador passivo em ativo.

Quando a Mercantilização da própria memória ofusca a preservação e a utilização contemporânea dos patrimônios culturais e os Museus, ao tenderem a se transformar em Memoriais, parecem esquecer a Memória viva.

Junte-se a isso o fato de a imagem sacralizada dos Museus de arte passar a ser utilizada de forma grotesca na captação de recursos, pela cessão de suas dependências para casamentos e, por que não, no futuro, para velórios, batizados, desfiles de moda, banquetes políticos, bailes eróticos etc., tudo legitimado pela nova modalidade pseudocientífica da Moda - o Marketing cultural.

Isso sem falar no comércio paralelo cada vez mais inchado nos Museus de arte, mercantilizando e banalizando sua imagem, quando a positiva intenção educacional e divulgativa inicial com a venda de publicações ligadas ao acervo, se transforma, imperceptivelmente, numa única preocupação Mercadológica de captação de recursos a qualquer preço.

A Manipulação, em que na visão do mercado, e nas palavras de Mc Luhan, o "Meio" (leia-se o Museu) é a "Mensagem" (leia-se o acervo). Veja-se, por exemplo, a Monumentalidade que se expressa na supremacia crescente da forma sobre o conteúdo na arquitetura escultural dos novos Museus, em detrimento dos espaços para exposição dos acervos, ou seja, da possibilidade do seu "diálogo" construtivo com os visitantes.

A Mecanização dos Museus que, passando por um processo de informatização exacerbada, tende a transformá-los em "quermesses" eletrônicas, conturbando o desejado diálogo direto visitante-objeto em detrimento, sobretudo nos Museus de arte, da sensibilização que exige um tempo suficiente para a contemplação empática para a experiência estética.

A Mitificação, primeiro, pela recuperação do uso do patrimônio nos Museus para a consolidação de identidades nacionais ou locais e que, segundo pensa Ulpiano Bezerra de Menezes, forja, na ausência de referências sociais objetivas e nas reforçadas homogeneidades e consensos artificiais, identidades meramente simbólicas, tendendo a anular as diferenças, as contradições e os conflitos sociais reais.

Segundo, quando a sacralização que, nos Museus de elite, abrangia o artista e sua obra, agora, com os Museus Massivos, tende a se concentrar só na Mitificação do artista, tornando os acervos quase dispensáveis.

A Mistificação que procura convencer que Massificação e vulgarização - que só contribuem para desqualificar e degradar arte - são evidências de popularização, liberdade, democracia e cidadania mas que, na verdade, resultam na homogeneização dos seres humanos com a conseqüente eliminação de alternativas e, portanto, da liberdade, cuja essência é a faculdade de poder escolher conscientemente entre diversas opções.

Assim, no mundo da cultura, a Mistificação parece travestir tecnologia por ciência, design por arte, cenografia por Monumento, crônica por história, pitoresco por folclore, ambiente por natureza, escultura por arquitetura, didática por educação e shopping center por Museu.

Se todos estes sintomas, entre outros, por incipientes que sejam, são reais, parece estar ocorrendo nos Museus de hoje não apenas uma Mudança quantitativa, mas uma tendência para transformações qualitativas fundamentais, a meu ver, Maléficas. Se é assim, resta saber se o Mal é Mortal ou se há cura? Eis a primeira questão!

No contexto epidêmico das deformações sócio-econômicas vigentes, qual é o campo de cultura dos Micróbios do Mal que causam todos estes sintomas?

Ainda no âmbito das idéias de Otília Arantes, vivemos uma era na qual a própria política vira mero espetáculo, na qual os Museus passam a ser um dos pontos de apoio no processo global da Massificação, na tentativa de substituição de uma vida política pública inexistente por uma ilusória inclusão cultural, na qual a demanda por espaços públicos Museais de recreação, performance e comércio, verdadeiros Mafuás, tende a aumentar geometricamente, inclusive por causa do crescente tempo ocioso na sociedade do trabalho.

No contexto predatório da sociedade atual, reina o desperdício dos insuficientes recursos mundiais para a criação de necessidades desnecessárias; em que o fetiche da mercadoria foi substituído pelo fetiche da moeda, numa verdadeira "financeirização" da riqueza; em que tudo tem preço, nada tem valor; em que predomina o aqui e agora; em que uma das tônicas ideológicas é a Minimização do Estado face ao predomínio do Mercado, com a conseqüente renúncia dos seus deveres fundamentais no campo social, da educação e da cultura; em que, a utopia da globalização do bem-estar vai se transformando gradativamente na realidade da globalização da miséria; em que procura-se abolir, por decreto, a luta de classes e substituí-la por um idílico consenso universal entre os famintos e os detentores do capital. Contexto em que o Museu não paira nas nuvens, mas é também parte integrante deste campo social contraditório e conflitivo da luta de classes.

Tentar responder, portanto, qual é sua função social, significa tomar posição e jogar fora sua pretensa neutralidade, e a dos objetos, e tentar assim combater os Micróbios malvados deste mal da pós-Modernidade, já epidêmico neste fim de Milênio, que resulta numa tácita e implícita anuência a todas perversas Mazelas sociais da atualidade.

Mesmo se certamente poucos, em sã consciência, presumem que o patrimônio cultural e artístico está aí para ser preservado só pela volúpia da preservação, ou como um fim em si mesmo, ou como santuário de objetos sacralizados, a meu ver continuam não respondidas satisfatoriamente as questões - conservar o patrimônio cultural e artístico, por que e para quê? Divulgá-lo, como e para quem? Eis uma segunda questão!

A hipótese que defendo é que, além do seu evidente potencial de fruição, seja, sobretudo, para preencher uma função conscientizadora, isto é, que também os Museus sejam militantes no apoio à luta do ser humano pela conquista da liberdade substantiva, ou seja, da livre escolha de alternativas.

Isto porque liberdade tem tudo a ver com o conhecimento, em um processo dialético de apreensão da realidade. Argumento que esta apreensão da realidade pode ser alcançada em três níveis - o racional, o intuitivo e o sensível - que não são excludentes entre si, mas cuja integração é para sistematizar o conhecimento, aguçar a sensibilidade e alimentar a intuição. O Museu de arte pode ser uma das poucas instituições que tem o potencial e a vocação de criar condições para concretizar isto.

Demitificar para socializar, dessacralizar para contextualizar, desacelerar para objetivar, desmercantilizar para personalizar, desmistificar para desmanipular, desmassificar para conscientizar, descentralizar para democratizar, diminuir para humanizar, parecem bandeiras pertinentes, possíveis e preliminares para o deslanche de uma neo-neo museologia.

Ao Museu de arte - no espírito do ICOM - compete zelar, para fins de estudo, educação e deleite, pela aquisição, preservação, divulgação, comunicação e pesquisa dos acervos artísticos históricos tangíveis móveis.

Os Museus de Arte reais, porém, e numa simplificação cartesiana, parecem oscilar hoje entre dois modelos dominantes: os Museus de Elite e os Museus de Massa.

Nos primeiros, por definição, o público alvo (o real, não o dos discursos) é diminuto e formado pelos incluídos no universo artístico, ou seja, aqueles que têm o privilegio de deter os códigos herméticos da apreciação artística vigente nas instituições tradicionais que, em geral, se caracterizam ou pelo Marasmo e pela idolatria, ou pelo vanguardismo inconseqüente. Nos segundos, por definição, o público alvo é a Massa, onde, através de vários mecanismos, como as Megaexposições, por exemplo, se anulam os códigos a favor da Massificação, com a cumplicidade total da Mídia, onde a última preocupação é com o diálogo entre obra e freqüentador, e onde reina ou a Mesmice dos Modismos e dos chavões, ou a renovação puramente formal de fachada, ou, ainda, a agitação pela agitação.

Os primeiros, os de elite, têm o potencial sensibilizador, mas para poucos, e acentuam a esquizofrenia da arte, como se esta planasse nas alturas, seccionada da realidade sócio-econômica aqui de baixo. Os segundos, os de Massa, são anticonscientizadores por definição, ao enfatizarem a homogeneização dos seres humanos e, portanto, a automatização das sua reações. Há Museus que, por enquanto, atendem indiscriminadamente os dois públicos mas tendem, no geral, aceleradamente para a Massificação.

Reforço a proposta de um terceiro caminho que já vem sendo trilhado, em diversas partes do mundo, mais comumente em Museus descentralizados médios, mas com alguns temperos adicionais da minha lavra gastronômica. Este modelo, de um lado, conscientizaria sem elitizar e, do outro, teria a ambição de chegar ao grande número de excluídos, sem Massificá-los e nem, por isto, resultar num suflê insosso. Este modelo alternativo se caracterizaria pela ação educativa, em torno dos acervos dos Museus, numa área museológica específica de arte/educação, onde o ver, o conhecer e o fazer arte faria parte de uma unidade dialética, e que seriam correspondentes aos níveis racional, intuitivo e sensível da apreensão da realidade. Ou seja, onde a dialética dos binômios contextualização/razão, leitura/sensibilização e construção/intuição fosse a tônica. Ou seja, o Museu conscientizador Militante.

Isto posto, como relacionar tudo o que eu disse com a temática em pauta, ou seja a "política cultural nos Museus e a arte contemporânea"?

Inicialmente, cabe perguntar onde estão os limites para que a Arte seja museável? No campo das artes plásticas contemporâneas, os happenings, a arte perecível, a arte descartável, a arte momentânea, as instalações, que não resultam em patrimônio tangível durável, são manifestações museológicas de arte? A retórica que elegeu os novos suportes, como vídeos etc., para atribuir, paradoxalmente, longa vida às obras perecíveis e torná-las museáveis, por enquanto, não me convence.

Penso que a arte é uma manifestação humana que se caracteriza por uma transcendência indefinível e impalpável. Metaforicamente, pela música, que dedos, especialmente dotados, dedilham nas cordas da nossa sensibilidade emotiva e as afinam, quando não as afiam. Transcendência, portanto, que estimula criativamente nossa sensibilidade e, por que não, nossa intuição. Sei muito bem que, freqüentemente, só o tempo revela, nas artes plásticas, esta transcendência. É comum afirmar-se que a qualidade artística das obras se evidencia quando elas solicitam terceiros ou quartos olhares que necessitam de tempo que a perecibilidade não permite. Mas, no clima contemporâneo da Massificação, o problema inicial é outro. É de como solicitar o primeiro olhar para a obra que transcende. Eis uma terceira questão!

Sem cair nos extremos de Vargas Llosa, para quem "atualmente tudo pode ser arte mas nada é ", cabe indagar o que, na chamada arte de nossos dias, de fato, seria objeto para Museus de arte, e que solicitasse todos estes olhares. A arte contemporânea carrega consigo, por definição, o problema de que não há como esperar pela consagração histórica das obras para sua assunção pelos Museus. Como, então, legitimar arte no curto prazo, sem iludir, Manipular ou Mitificar? Eis a quarta questão!!!

O que é museável, por exemplo, no caso das artes decorativas, onde seus produtos, freqüentemente, são objetos esteticamente agradáveis e belos e, ainda, por que não, criativos, representa um problema. Mas como, a meu ver, não transcendem, a rigor, não seriam arte museável. Sei que estou me expondo muito com estas idéias e, sobretudo, ao ousar incluir boa parte da arte não figurativa nesta hipótese. Tudo isto, inevitável e umbilicalmente, liga os Museus de Arte Moderna à produção contemporânea da arte e é, em parte por isso, que o sentido da museologia do século XX evoluiu, por exemplo, ao incorporar ao universo museológico as curadorias, a história e a crítica de arte, entre outros.

Parto do princípio de que o fosso entre arte contemporânea e as Massas se acentuou, inclusive pelo hermetismo crescente de certos códigos. A responsabilidade disso cabe tanto às instituições artísticas e afins, como ao artista. Mas é àquelas que cabe a tarefa maior na criação da ponte sobre este fosso. Creio que esta tarefa não dá para ser desempenhada no contexto do inaceitável conteúdo autocrático das curadorias mas exige a interdisciplinaridade democrática. Sugiro, por exemplo, que o importante papel tradicional da crítica de arte, como mediadora entre a produção artística e o público, seja também assumido institucionalmente pelos próprios Museus de arte como tais e não só por profissionais isolados.

Em decorrência, creio que, nos Museus de arte, o conjunto das obras do acervo é, na sua unidade dialética, ou seja, nas suas contradições, muito mais importante que as obras individuais. E que, portanto, por exemplo, o histórico deste acervo, ou seja, a sua procedência e os caminhos que o levaram ao Museu, sejam explicitados, o que diminui muito o risco de sua sacralização e facilitam o diálogo obra/espectador.

E que, acima de tudo, o Museu, para escapar ao dilema Mortal entre caráter de elite e caráter de Massa, assuma explicitamente o papel do que chamo de Museu Conscientizador Militante.

Quando se trata da parcela da Arte Contemporânea que resulta em objetos duráveis e, portanto, a ser preservada, não há tantas dificuldades de enquadrar os Museus nas teses acima. Essas teses, porém, não são de fácil aplicação quando se tenta incluir, no que se chama de patrimônio Museológico, a parcela da arte contemporânea que transcende mas que não é durável, ou intangível, como, por exemplo, muitos happenings e instalações.

Mais atrás, já introduzi, gradativamente, o tema da Política Cultural. Esta se processa tanto no plano institucional como no plano estatal. Tenho sido constante defensor da idéia de que tanto as instituições como o Estado, em seus diversos níveis, têm a obrigação de formular políticas culturais explícitas. Políticas dinâmicas e modificáveis, mas sempre num processo dialético, transparente e democrático de longo prazo e jamais caracterizadas por rupturas conjunturais, como por exemplo, a existência de políticas de "fato", opacas, sujeitas a alterações ao sabor de posições arbitrárias pessoais dos que se alternam no poder nos seus diversos níveis.

Proponho que as instituições museológicas de arte definam suas políticas culturais de acordo com as considerações e teses acima. Tenho argumentado que, se isto se concretizar, a instituição, ao assumir este papel conscientizador, pode se tornar mais importante do que o próprio acervo, mas que este será sempre, por definição, o instrumento básico da política educacional acima descrita. Mas como exercer a ação política no âmbito da cultura?

Para mim, o espaço político estatal, onde há campo para reivindicar, exigir, ganhar posições ou perdê-las, mas sempre numa luta pública, é potencialmente muito mais democrático e transparente que o espaço privado das ante-salas das empresas, onde, em geral, só cabe mendigar, implorar e, na maioria dos casos, depender do capricho pessoal ou de interesses puramente mercadológicos.

A meu ver, o Mecenato, ou seja o apoio desinteressado, praticamente não existe mais. E a situação fica irônica, quando se sabe que, entre nós, são as empresas mais ricas que auferem a maioria dos benefícios dos incentivos fiscais governamentais. Beira a má fé colocar todas as expectativas da política cultural e artística nesta sociedade civil. Sobretudo a nossa, onde, ressalvadas as honrosas excepções de sempre, a elite é tão insensível, iníqua, indigna e egoísta. Democratizar o espaço público e valorizar as ágoras me parece essencial na luta política cultural e artística, e no desenvolvimento dos neo-neo Museus de arte.

Proponho que esta política, no plano governamental, sem obviamente decretar, por absurdo, o fim dos Monstros Mega Museus, decrete porém, para início de conversa, a descentralização das inúmeras obras enterradas em suas reservas técnicas e as distribua nas centenas de unidades menores a serem criadas em toda extensão dos territórios nacionais. Museus Militantes educacionais, de Arte e outros, que poderíamos chamar de Museus de câmara, nos quais a prioridade total fosse dedicada a uma função educacional conscientizadora e onde fosse assegurada a continuidade na aplicação de suas políticas culturais específicas.

Concluindo, nem filarmônicas para as massas nos raros Ibirapueras da vida, nem solos divinos nos parcos salões, mas música de câmara educacional em inúmeros auditórios médios. É preciso construir, entre outras, alternativas aos supermercados que acabam com as quitandas, aos Block Busters que acabam com as locadoras, às Megastores que acabam com as livrarias, aos Mc Donaldd’s que acabam com os bares de esquina, às superquadras que acabam com as "ágoras", aos poderes que acabam com a política.

Mas é urgente também construir alternativas a tantos e tantos Museus, sejam de elite como de Massa que, cada um a seu modo, enterram figurativamente, quando não literalmente, os seus acervos.

Parece que estou remando contra a corrente histórica. Isto, por si só, é ser reacionário? Não sou vidente, mas pode surgir algum M Miraculante que não seja uma Mera Média Mineira em riba do Muro mas sim uma Miragem ao fundo do túnel. Como diria nosso querido herói internacionalista Apolonio de Carvalho, sonhar e ser utópico é sempre preciso.


*Mauricio Segall é museólogo e membro do Conselho Deliberativo do Museu Lasar Segall.

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