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1º de maio

publicado em 13/02/2010

1º de maio no Brasil

Reunião de textos que abordam a origem do 1º de Maio, as greves do ABC, até as reflexões atuais sobre o desemprego.

Realizado em 01/05/1999


O 1º de Maio vem sendo comemorado no Brasil desde fins do século passado. Embora haja divergências quanto à data da primeira comemoração, tudo indica que ela foi realizada no ano de 1895, em Santos (SP), e organizada pelo partido operário daquela cidade. Nas primeiras décadas do século, o 1º de Maio foi comemorado pela classe operária como um dia de luta e reivindicações por melhores condições de vida e trabalho, contra a guerra, por liberdades, etc. Em 1925, contra os protestos dos trabalhadores e procurando institucionalizá-lo, o governo transforma o 1º de Maio em feriado nacional.

Nos anos trinta e, em particular, durante o Estado Novo (1937-1945), o governo procurou retirar o significado de combate da data e converter o 1º de Maio num dia de festa oficial, programada e dirigida pela máquina estatal. Nele, Getúlio Vargas aparecia como grande protetor dos trabalhadores brasileiros.

Após a redemocratização de 1945, o movimento operário procurou resgatar e reafirmar o conteúdo classista do dia 1º de Maio. A partir de 1947, mesmo sob a repressão do governo Dutra, a classe operária imprime ao dia um conteúdo de luta e reivindicação por melhores condições de trabalho, em defesa da paz, das liberdades democráticas, contra a carestia de vida, pela independência nacional e pela reforma agrária.

A partir de abril de 1964, o regime autoritário procura imprimir às comemorações do 1º de Maio - como já havia sido feito no Estado Novo - um caráter policlassista e dirigido pelo Ministério do Trabalho. Em contraposição, o movimento operário oferece resistência das mais diversas formas. Em 1968, o 1º de Maio em São Paulo, organizado pelo governo do Estado, transforma a praça da Sé em campo de batalha, num protesto planejado pelas organizações radicais de esquerda - Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Ação Libertadora Nacional (ALN) e a Dissidência Universitária Comunista de São Paulo, entre outras, com o apoio da Ação Popular (AP) - que tomou e queimou o palanque das autoridades.

Resistindo às tentativas do regime autoritário em transformar o 1º de Maio de mero festejo ou numa manifestação sem conteúdo de classe, o movimento operário tem procurado imprimir à data um caráter de confraternização, reivindicação e luta. Nesse sentido registraram-se avanços, como em 1979 e 1980, quando cerca de 150 mil trabalhadores reunidos em São Bernardo do Campo (SP) e desafiando o regime, recuperaram o sentido real do 1º de Maio.
 


Extraído do livro 1º de Maio – Imagens e Histórias do Trabalho, Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, Departamento do Patrimônio Histórico e Divisão de Iconografia e Museus, 1985, p.17 e 18.

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