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20 anos: anistia não é esquecimento

publicado em 13/02/2010

Apresentação

capa

Senador Teotônio Vilela, homenageado em Ato Público no Sesc Pompéia, em março de 83, realizado pelos integrantes do CBA/SP em conjunto com o CBS. Na ocasião foram lançados e distribuídos os volumes I e II do livro Anistia (documentário organizado por determinação do presidente da Comissão Mista do Congresso - senador Teotonio Vilela), Brasília-DF, 1982.
Foto de Nair Benedicto/NImagens.

 

O título que escolhemos para esta matéria sobre os 20 anos da promulgação da lei da Anistia expressa com clareza o pensamento da Fundação Perseu Abramo sobre essa questão: Anistia não é esquecimento!

Em primeiro lugar, porque é impossível esquecer os episódios da grande luta em que, em plena ditadura, se engajaram centenas de milhares de brasileiras e brasileiros, exigindo justiça para as vítimas do autoritarismo e do terror de Estado.

Em segundo lugar, porque a concepção de Anistia, que permeou a campanha e que continua a nortear a atuação dos seus militantes, nunca foi a do perdão, menos ainda a do esquecimento. Ao contrário, a tônica dos pronunciamentos e dos panfletos da campanha sempre foi a denúncia dos crimes da ditadura, exigindo o esclarecimento das mortes e dos "desaparecimentos", com a devida responsabilização dos culpados; a total reintegração na vida nacional dos que foram dela alijados por medidas arbitrárias; e a reconquista dos valores democráticos - a liberdade, a justiça social e o respeito aos direitos humanos - que haviam sido proscritos pelas Leis de Exceção.

Para contar a história desse movimento, os textos introdutórios que estamos apresentando - A Campanha pela Anistia, as Vítimas da Repressão e a Continuidade da Luta – são complementados por documentos variados, desde os documentos de congressos e encontros, e manifestos importantes, como a "Carta aos Brasileiros" do Professor Goffredo Telles Jr., a Carta de Princípios do CBA/SP, o manifesto dos jornalistas "Em nome da Verdade" - em que a categoria desmascara a versão de suicídio com que as autoridades tentaram encobrir o assassinato de Vladimir Herzog - aos panfletos e relatos pessoais, como as cartas de presos, exilados e familiares de mortos e desaparecidos. Esse material é acompanhado também por registros iconográficos, que emprestam a vida das imagens aos acontecimentos relatados.

O esforço para captar as experiências vividas reforça-se com a série de depoimentos, em que mais de 50 protagonistas da luta pela Anistia relatam, de um ponto de vista pessoal, suas memórias do movimento e fazem a avaliação, 20 anos depois, do que ele representou para as suas trajetórias de vida e para a luta contra o autoritarismo no Brasil.

Como recurso didático para a visualização da trajetória da campanha da Anistia dentro do contexto histórico mais amplo, preparamos também uma cronologia, a partir de 1º de abril de 1964, em que se faz a ordenação dos principais acontecimentos da vida política do País no período.

Com a apresentação de todo esse material, é importante observar, não pretendemos esgotar o assunto e nem sequer oferecer garantia de que não tenhamos cometido falhas e omissões importantes. O esforço da Fundação Perseu Abramo foi o de oferecer uma seleção, que nos pareceu significativa, dentre o material que conseguimos coletar e organizar no curto espaço de tempo disponível e nos limites dos nossos recursos atuais.

Chamamos a atenção para a Homenagem, que destaca cinco valorosos combatentes da causa da Anistia, que não se encontram mais entre nós. Henfil, Jaime Wright, Madre Cristina, Perseu Abramo e Teotônio Vilela foram incansáveis militantes e deram contribuição inestimável a essa luta. Nas suas pessoas homenageamos também o conjunto dos militantes dos movimentos de Anistia, que deram o melhor dos seus esforços para que a causa fosse vitoriosa.

Uma referência especial deve ser feita ao nosso amigo de todos os momentos, Perly Cipriano, que foi a primeira pessoa a nos procurar para falar da necessidade de comemorarmos os 20 anos da Anistia. Esse bravo e querido companheiro, vitimado por um grave acidente que – para nossa felicidade - não roubou sua vida, não pôde, como era sua vontade, participar dos diversos trabalhos desenvolvidos. Para remediar, em parte, essa insuperável falta, reproduzimos entre os textos de "A voz das prisões", trechos do livro "Fome de Liberdade", que Perly escreveu juntamente com Gilney Viana.

Resta dizer que nem todos os documentos disponíveis na FPA foram reproduzidos nestas páginas. Os interessados no assunto poderão ter acesso àqueles que constam do nosso acervo, ou nos consultar sobre outras fontes que deverão ser procuradas.

 

Esperamos que essa iniciativa da FPA tenha a utilidade que para ela previmos, e que iniciativas semelhantes se multipliquem por todo o País, para que, finalmente, a campanha pela Anistia, que foi um episódio significativo da luta incessante do povo brasileiro contra o autoritarismo, pela justiça social e pelos direitos humanos fique definitivamente registrada. Não vamos esquecer!

 

 

 

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